O ano está terminando e eu resolvi retomar o blog com a lista dos melhores filmes que assisti em 2009. Nem todos estrearam no circuito comercial, alguns passaram em festivais ou mostras especiais e merecem uma posição de destaque no ranking. Outros que estrearam neste ano eu já tinha assistido em festivais anteriores, como “Horas de Verão” e “A Festa da Menina Morta”, portanto não entraram nesta lista porque estão entre os dez melhores de 2008. Vamos aos destaques:
1-
Bastardos Inglórios – Tarantino me fisgou, finalmente, com o seu roteiro ousado e bem imprevisível. Isso lhe garante o título de melhor filme do ano, disparado.
2-
Anticristo – Charlotte Gainsbourg é uma das melhores atrizes da atualidade. Desde “Mundo Novo” (2006) ela me chama a atenção e em 2009, amparada pelas mãos de Lars Von Trier, mergulhou no inferno diabolicamente humano criado pelo diretor.
3-
A Fita Branca – Passou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e deve estrear em 2010. Culpa, pecado, hipocrisia e um apanhado histórico dos bastidores do pré-guerra, na dicotomia maniqueísta do preto e branco.
4-
Caramelo – Estreou em poucas salas do país, mas foi um dos filmes independentes que fez boa bilheteria a longo prazo. Grande atuação e direção da bela Nadine Labaki, mostrando os pequenos segredos femininos pelas ruas libanesas.
5-
Entre os Muros da Escola – Talvez o filme que mais tenha provocado debates no país inteiro pelas temáticas da educação e da diáspora africana na França, nada amenizadas ou romantizadas.
6-
Há tanto tempo que te amo – Infelizmente, passou muito rápido pelo circuito comercial, mas cravou a marca de um dos dramas mais bem construídos. Com roteiro perspicaz, o filme destrincha aos poucos a angústia da personagem de Kristin Scott Thomas (outro bom exemplo de atuação feminina) e entrega a chave da trama somente nos últimos minutos.
7-
Up: Altas Aventuras – Não foi a animação que mais deu lucro para os seus produtores, mas certamente a que mais buscou identificação com o público infantil e adulto. Por um lado, uma aventura juvenil. Por outro, um drama sobre a velhice, sem pieguices ou choro fácil.
8-
À Deriva – Entre os brasileiros, os melhores passaram em festivais e devem estrear no próximo ano. Mas este filme de Heitor Dhalia fugiu do clichê violência-favela e é uma das boas surpresas do ano, principalmente pela personagem Felipa, interpretada pela novata Laura Neiva.
9-
Hotel Atlântico – Mais um grande filme nacional do ano, que passou em festivais nacionais e internacionais e logo estreou no circuito. Suzana Amaral conseguiu reunir um elenco primoroso, trabalhando as particularidades e loucuras de cada personagem, embora costurados pela frágil atuação do protagonista Júlio Andrade.
10-
O curioso caso de Benjamin Button – Esse pode ser discutível, mas entra na minha lista mais pela emoção do que pela razão. É um daqueles blockbusters que me prendem de vez em quando.
As promessas não cumpridasErvas Daninhas – Depois do irretocável “Medos Privados em Lugares Públicos”, Alain Resnais me decepcionou. E foi por pouco. Se o filme tivesse terminado na primeira hora e meia, seria outra obra-prima, mas se perde tanto no final que o filme acaba desabando em suas próprias armadilhas.
Abraços Partidos – Dá para dizer que Almodóvar fez uma obra racionalmente bem construída. Mas eu senti falta do seu surrealismo e ousadia habituais, não adianta.
Deixa Ela Entrar – A onda vampiresca do ano não vai deixar saudades, ao menos para mim. Este filme sueco foi uma boa surpresa entre tantos clichês. Mas poderia ter sido ainda melhor.
Coco Antes de Chanel – Bom filme biográfico, com toques de “Piaf”, embora muitas informações tenham sido romantizadas e o filme se alongado em etapas desnecessárias.
Aconteceu em Woodstock – Vale pelos bastidores do maior festival de música do mundo, sem dúvida. Mas a psicodelia ficou tão pontual, discreta – e até ridicularizada – que poderia ser um filme sobre os bastidores de um circo.