sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Bilheteria bate recorde na França, mas market share cai



Durante o início do ano passado, a França voltou a ser o centro das atenções entre os pesquisadores e analistas da indústria cinematográfica quando o Centre National de la Cinématographie (CNC) anunciou que o market share francês bateu a marca dos 45,9% contra 43,8% dos filmes americanos, um feito histórico dos últimos 22 anos. Em 2009, porém, os números não foram tão bons. A venda de ingressos de filmes franceses dentro do mercado interno ficou em 36,8% contra 47,6% dos Estados Unidos.

Apesar disso, segundo a revista Variety, houve um recorde na arrecadação de bilheteria, com € 1,2 bilhões (cerca de US$ 1,8 bilhão) e 200,8 milhões de ingressos vendidos. Os principais responsáveis pelas cifras rechonchudas foram “A Era do Gelo 3” (com renda de US$ 66,8 milhões, na foto acima) e “Avatar”, que já rendeu US$ 53,5 milhões até o final do ano passado.

Ou seja, 2009 foi um ano excelente para o mercado exibidor francês, mas nem tão satisfatório para os produtores e cineastas locais, que tanto festejaram o resultado de 2008. Mesmo assim, a marca de 36,8% é bastante razoável quando comparada a de países como o Brasil, por exemplo, que está rindo à toa com os seus 15% de participação no mercado interno depois do fenômeno "Se Eu Fosse Você 2" e seus mais de 6 milhões de espectadores.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Reta final para se inscrever no Prêmio SAV de Pesquisa em Cinema

Para quem estuda cinema e está retomando a rotina depois das festas de final de ano, esta é uma das melhores dicas para começar 2010 com o pé direito.

Se você é pesquisador independente ou defendeu tese de doutorado ou dissertação de mestrado sobre o cinema brasileiro nos últimos 10 anos, terá a chance concorrer ao prêmio e publicar o seu trabalho em formato de livro, com 1.500 exemplares, que serão distribuídos no país todo.

Mas precisa ficar antenado, as inscrições para o Prêmio SAV para Publicação de Pesquisa em Cinema e Audiovisual terminam amanhã. Confira o regulamento em: www.cenacine.com.br/premiosav

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

As pérolas de 2009

O ano está terminando e eu resolvi retomar o blog com a lista dos melhores filmes que assisti em 2009. Nem todos estrearam no circuito comercial, alguns passaram em festivais ou mostras especiais e merecem uma posição de destaque no ranking. Outros que estrearam neste ano eu já tinha assistido em festivais anteriores, como “Horas de Verão” e “A Festa da Menina Morta”, portanto não entraram nesta lista porque estão entre os dez melhores de 2008. Vamos aos destaques:

1- Bastardos Inglórios – Tarantino me fisgou, finalmente, com o seu roteiro ousado e bem imprevisível. Isso lhe garante o título de melhor filme do ano, disparado.

2- Anticristo – Charlotte Gainsbourg é uma das melhores atrizes da atualidade. Desde “Mundo Novo” (2006) ela me chama a atenção e em 2009, amparada pelas mãos de Lars Von Trier, mergulhou no inferno diabolicamente humano criado pelo diretor.

3- A Fita Branca – Passou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e deve estrear em 2010. Culpa, pecado, hipocrisia e um apanhado histórico dos bastidores do pré-guerra, na dicotomia maniqueísta do preto e branco.

4- Caramelo – Estreou em poucas salas do país, mas foi um dos filmes independentes que fez boa bilheteria a longo prazo. Grande atuação e direção da bela Nadine Labaki, mostrando os pequenos segredos femininos pelas ruas libanesas.

5- Entre os Muros da Escola – Talvez o filme que mais tenha provocado debates no país inteiro pelas temáticas da educação e da diáspora africana na França, nada amenizadas ou romantizadas.

6- Há tanto tempo que te amo – Infelizmente, passou muito rápido pelo circuito comercial, mas cravou a marca de um dos dramas mais bem construídos. Com roteiro perspicaz, o filme destrincha aos poucos a angústia da personagem de Kristin Scott Thomas (outro bom exemplo de atuação feminina) e entrega a chave da trama somente nos últimos minutos.

7- Up: Altas Aventuras – Não foi a animação que mais deu lucro para os seus produtores, mas certamente a que mais buscou identificação com o público infantil e adulto. Por um lado, uma aventura juvenil. Por outro, um drama sobre a velhice, sem pieguices ou choro fácil.

8- À Deriva – Entre os brasileiros, os melhores passaram em festivais e devem estrear no próximo ano. Mas este filme de Heitor Dhalia fugiu do clichê violência-favela e é uma das boas surpresas do ano, principalmente pela personagem Felipa, interpretada pela novata Laura Neiva.

9- Hotel Atlântico – Mais um grande filme nacional do ano, que passou em festivais nacionais e internacionais e logo estreou no circuito. Suzana Amaral conseguiu reunir um elenco primoroso, trabalhando as particularidades e loucuras de cada personagem, embora costurados pela frágil atuação do protagonista Júlio Andrade.

10- O curioso caso de Benjamin Button – Esse pode ser discutível, mas entra na minha lista mais pela emoção do que pela razão. É um daqueles blockbusters que me prendem de vez em quando.


As promessas não cumpridas


Ervas Daninhas – Depois do irretocável “Medos Privados em Lugares Públicos”, Alain Resnais me decepcionou. E foi por pouco. Se o filme tivesse terminado na primeira hora e meia, seria outra obra-prima, mas se perde tanto no final que o filme acaba desabando em suas próprias armadilhas.

Abraços Partidos – Dá para dizer que Almodóvar fez uma obra racionalmente bem construída. Mas eu senti falta do seu surrealismo e ousadia habituais, não adianta.

Deixa Ela Entrar – A onda vampiresca do ano não vai deixar saudades, ao menos para mim. Este filme sueco foi uma boa surpresa entre tantos clichês. Mas poderia ter sido ainda melhor.

Coco Antes de Chanel – Bom filme biográfico, com toques de “Piaf”, embora muitas informações tenham sido romantizadas e o filme se alongado em etapas desnecessárias.

Aconteceu em Woodstock – Vale pelos bastidores do maior festival de música do mundo, sem dúvida. Mas a psicodelia ficou tão pontual, discreta – e até ridicularizada – que poderia ser um filme sobre os bastidores de um circo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

EUA oferece bolsas para roteiristas

São duas vagas para candidatos que atuam na área cinematográfica. As inscrições seguem até o dia 31 de julho e a seleção será em setembro, no Distrito Federal.

Mais informações no CENA: http://www.cenacine.com.br/?p=2391

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Leitores e espectadores

O jornalista norte-americano Gay Talese em breve chegará ao Brasil para participar da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece no litoral fluminense, entre 1º e 5 de julho. Antes disso, vários jornais já publicam entrevistas com o mestre do new journalism que ficou conhecido por seus textos impecáveis. (Dois dos melhores que li são “Frank Sinatra está resfriado” e “A Ponte”, que inspirou o meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade de jornalismo.)

Mas o que isso tem a ver com cinema? Na verdade, pouco. Para a Folha Online, Talese deu uma excelente resposta sobre suas expectativas com seus leitores que podem ser facilmente transpostas ao pequeno público de cinéfilos de cinema mais cult, de arte, mas que podem influenciar os demais mortais que os cercam:

Folha Online - O senhor se preocupa com o futuro da leitura nos EUA?

Não, não me preocupo. Nunca houve muitos leitores em meu país, ou em lugar nenhum, se comparado à população nacional. Mas o relevante mesmo é o número relativamente pequeno de leitores (e pensadores) que influenciam a maioria que lê pouco e pensa pouco, maioria preocupada com seus esforços diários, e que tomam tanto tempo, para ganhar dinheiro para pagar o aluguel e colocar comida suficiente na mesa.

Uma entrevista que vale a pena ser lida na íntegra.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fotos de making of de "Gulliver’s Travels"

O CENA, site que eu edito e para o qual colaboro com algumas matérias, publicou há pouco fotos inéditas de making of do filme “Gulliver’s Travels”, que está sendo filmado em Londres. O longa-metragem terá Jack Black como protagonista e é dirigido por Rob Letterman.

Confira neste link.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Revista SET volta às bancas com nova equipe

O fim da revista de cinema SET foi anunciado meses atrás, inclusive com o fechamento da redação em São Paulo. Mas a publicação ganhou uma nova casa no Rio de Janeiro e está nas mãos de uma nova equipe. Veja a nota divulgada:

Não, a revista SET não acabou. De jeito nenhum. Sem chances. Não, não. Uma revista de cinema como a SET, que, em vez de leitores, tem fãs, não vai jamais morrer. No próximo dia 5 chega às bancas de todo o Brasil a nova SET, melhor, mais bonita e mais integrada com o mercado nacional. A revista, que traz um especial sobre "O exterminador do futuro - A salvação", está sendo editada agora por uma equipe carioca formada por Mario Marques (publisher) e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun (editores). A SET é reforçada com três novos colunistas: Luiz Noronha (Ex-editor do Segundo Caderno do Globo, sócio da Conspiração Filmes), Pedro Butcher (crítico da Folha de São Paulo e editor do site Filme B) e Marcelo Cajueiro (correspondente no Brasil da revista "Variety").

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Madri aos pés de Almodóvar

Uma pena que os filmes de Pedro Almodóvar demorem tanto para chegar ao Brasil. "Los Abrazos Rotos" estreou na Espanha há nove semanas, está em Cannes e deverá passar por aqui só no final do ano. Por enquanto, só nos resta, então, acompanhar as notícias que chegam do velho continente. Do blog do mestre, eis uma pontinha de egocentrismo, embora ele negue:

"Mi película se estrenó en España hace nueve semanas. De las agotadoras promociones previas al estreno, una de las cosas que todavía me hace ilusión es cuando los posters que la anuncian forman parte del mobiliario de la ciudad. Desde “Tacones lejanos” siempre cumplo el rito de fotografiar los posters de mis películas con la ciudad reflejada en ellos. No es una cuestión de egocentrismo, me gusta ver cómo el cartel toma vida y la comparte con la ciudad en la que vivo. Para mí son como fotos de familia. Además de que soy un amante de los reflejos, y en esto incluyo al cine. La mirada asustada de Penélope nos ha mirado fundida con muchos de los lugares más emblemáticos de Madrid."

Imagina só a diva espanhola (e oscarizada) espalhada pela cidade... Será que isso levará milhões ao cinema? E se a moda pegasse no Brasil, com cartazes e fotos de atrizes e atores famosos, será que daria resultado nas bilheterias?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Trabalhos recentes

É incrível como a internet facilita a vida de todo mundo, até quando o Blogger não permite fazer uploads de arquivos. Graças ao Read Oz, consigo disponibilizar aqui duas reportagens que fiz para a edição mais recente da Revista de CINEMA.

“O dia em que São Paulo quase parou” (pág. 30), é um making of sobre o novo filme de Sergio Rezende: “Salve Geral”, que traz os ataques do PCC em São Paulo como pano de fundo de uma história entre mãe e filho.

Com mais páginas, e mais análises, confira também “Uma Crise Anunciada” (págs. 40, 41 e 42), um balanço sobre os impactos da crise financeira mundial no cinema brasileiro, que afetam diretamente a infraestrutura, a finalização, a produção e os festivais.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Novo site, nova proposta

Caros leitores,

Depois de alguns meses de criação, apresento para vocês um novo site no qual escreverei com mais frequência sobre produção cinematográfica: CENA - Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual, ligado ao instituto Iniciativa Cultural. A ideia é produzir informações relacionadas ao mercado e à indústria. São artigos, reportagens, estudos, análises, estatísticas, legislação e muitas outras formas de difusão do conhecimento ligado ao setor, realizadas também por uma equipe de colaboradores.

Com essa nova proposta, este blog deixará de ser um site somente com informações novas sobre o tema. Se você está buscando isso, sugiro que acompanhe o CENA com regularidade. Aqui a intenção agora é deixar a minha opinião mais presente, com dicas, sugestões, críticas e etc. Ou seja, dois grandes desafios pela frente.

A todos, uma boa leitura e uma excelente dica para ampliar os seus conhecimentos sobre a indústria cinematográfica.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Preços mínimos do cinema argentino

Que o cinema argentino é bom e barato não é grande novidade. Mas ouvir (ou ler) isso de um cineasta como Carlos Sorín, diretor dos belíssimos "Histórias Mínimas" e "O Cachorro", soa como um mantra estranho à primeira leitura. Em entrevista à jornalista Ana Paula Sousa, em São Paulo, para lançar "A Janela", ele falou sobre os orçamentos de seus filmes e de seus compatriotas com a maior naturalidade:

Quem financia seus filmes?


Eu.

É?

Sim.

Um filme banca o outro?


Obviamente, claro.

Desculpe o espanto, mas aqui no Brasil isso jamais acontece.


Mas meus filmes têm orçamentos muito, muito baixos. Por isso é possível fazer um com a renda do outro. A Janela custou 260 mil dólares. É pouco, mas, ainda assim, para mim, parece muito (risos).

É uma opção trabalhar com tão pouco dinheiro?


Sim, há grandes vantagens em se trabalhar assim. Primeiro, você pode falhar. Se um filme caro fracassa, é um desastre financeiro. Como trabalho com cifras baixas, consigo recuperar o investimento com as vendas internacionais. Além disso, acredito mais na música de câmera que na sinfonia. Não é uma decisão estritamente econômica. É também uma decisão de linguagem, de que cinema fazer. Se me derem um milhão de dólares, não sei que história contar.

O excesso de dinheiro faz mal ao cinema?


Nós, na Argentina, vivemos em crise. Então, fazemos o cinema da contenção. Não é que os filmes são feitos sem recursos. É, apenas, que cada projeto tem o tamanho adequado. Meus filmes são pequenos pela própria natureza deles. É nesse cinema que acredito.

Vale a pena ler a entrevista na íntegra.

quarta-feira, 25 de março de 2009

David Lynch Television

Depois de percorrer diversos países para falar sobre a meditação transcendental, o cineasta David Lynch resolveu fazer um canal de TV pela web para levar a todos os cantos do planeta vídeos que expliquem a técnica.

Dois desses vídeos que estão na David Lynch Foundation Television foram filmados no Brasil, em agosto do ano passado, quanto ele lançou o livro "Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação". Veja nestes links: Meditation in his films e How to make a good film.

Na maioria das cidades, Lynch falou mais de meditação do que de cinema, é verdade. Mas, em São Paulo, o público que participou do encontro na FAAP cutucou mais o seu lado artístico do que místico. Fiz uma reportagem na época para o portal Terra, contando como foi. Se quiserem ler, o link é este.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Mercado auspicioso, tik!

A Warner Bros se prepara para lançar um canal 24 horas com filmes e programas de TV indianos, segundo o portal Terra. A programação será licenciada pela Warner Bros International Distribution Unit, que já cuida de canais como a Warner Channel e o Cartoon Network. Haverá também programação extra na internet, com making of das produções. A estreia está prevista para o dia 15 de março, de acordo com a revista Variety.

Isso reforça, cada vez mais, o domínio indiano não só nas produções de Bollywood, mas principalmente na distribuição, grande entrave da maioria das cinematografias. Depois da avalanche de "Quem quer ser um milionário", grande campeão no Oscar deste ano, é provável que mais novidades apareçam num curto espaço de tempo.

Até então, os grandes estúdios de Hollywood, como Walt Disney, Paramount, Fox, Universal, e a própria Warner Bros., já tinham aberto escritórios em Mumbai e percebido o auspicioso mercado de exibição para filmes norte-americanos na Índia. Derek Bose, articulista da coleção de livros "Cinema no Mundo – Indústria, política e mercado", lembra que, em 2006, "007 – Cassino Royale" estreou por lá com 427 cópias e arrecadou US$ 410 milhões.

Dentro de Bollywood, os filmes indianos se pagam e os produtores, conforme o texto de Bose, não dependem exclusivamente das bilheterias. Além da venda dos ingressos, o investimento do filme retorna com os direitos fonográficos, de exibição na TV, de dublagem e legendagem, merchandising, propaganda direta e outros. "De fato, hoje é muito difícil perder dinheiro com filmes na Índia – graças à convergência de mídias", escreveu Bose.

Por ano, cerca de 1.090 filmes são lançados na Índia, o que representa mais do que a soma dos lançamentos de todos os países da Europa juntos e quatro vezes mais que os Estados Unidos. Para absorver tudo isso, o país tem mais de 12 mil telas de cinema.

Sem levar em conta a qualidade dos filmes, olhando apenas para os números, é uma indústria que cresce a cada dia e compete de forma cada vez mais profissional.

terça-feira, 3 de março de 2009

O novo reinado da Retomada

"Se eu fosse você 2" é o filme mais visto no Brasil desde 1995, período que ficou conhecido como Retomada. A informação é do blog Ilustrada no Cinema, da Folha de S. Paulo. Com 5.324.387 espectadores, o longa-metragem de Daniel Filho desbancou "Dois Filhos de Francisco" (2005), de Breno Silveira, que tinha a honrosa marca de 5.319.677 espectadores.

A renda do novo filme-fenômeno chega a quase R$ 50 milhões, segundo o jornal O Globo, e está no seleto grupo dos sete filmes que ultrapassaram a marca dos R$ 40 milhões nas bilheterias e também no meio das dez maiores arrecadações na história do país.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A fórmula (se é que ela existe)

"Se eu fosse você 2" segue com seus recordes, como esperado, e chegou à fabulosa renda de R$ 39,2 milhões, em 37 dias, levando nada menos que 4,7 milhões de pessoas aos cinemas. Já bateu inclusive a arrecadação de "Dois Filhos de Francisco", que foi de R$ 36,7 milhões com os seus 5,3 milhões de espectadores. O preço do ingresso aumentou, sabemos disso. Mas não vem ao caso. A revista Bravo! entrevistou o diretor Daniel Filho e, finalmente, ele falou qual é a sua possível fórmula, ou explicação, para o sucesso:

O filme que deu origem à sequência já tinha feito imenso sucesso em 2006. Um sucesso surpreendente, na verdade. Nós esperávamos 2 milhões de espectadores, mas foram 3,6 milhões. Por que se chegou a isso? Há o fator "sorte", o fator "olho" e o fator "capricho na produção". Quando realizei o primeiro, não pensava em continuação, só que a boa receptividade do público me animou. Foi aí que tive o estalo de rodar o segundo em cima do tema da separação, já que me separei três ou quatro vezes. Fiz, então, um estudo para saber como são criadas as boas continuações. E descobri que há determinados tipos de cena que devem ser repetidos, mas de uma forma diferente — no caso, com uma nova piada para a mesma situação. Os três filmes da série O Poderoso Chefão, por exemplo, têm uma cena de massacre. Cada uma de um jeito. É uma marca da série. A mesma lógica aparece em outros filmes que tiveram continuações, como Perseguidor Implacável (ou Dirty Harry), De Volta para o Futuro e Rocky, um Lutador. As pessoas ficam me ligando à televisão, dizendo que "o Daniel expressou a TV na telona". Não, a televisão me deu o exercício do fazer, o que poucos autores e diretores têm. Mas, ao realizar meus filmes, penso em cinema, não em TV.

Ou seja, alguém começou a pensar o cinema brasileiro de forma séria, vendo o que funciona e o que não funciona, e como conseguir um diálogo com o público de forma racional. Não podemos abrir mão de filmes de autor, longe disso. Mas para fortalecer o setor, não seria nada mal ter mais gente pensando no que pode dar certo de imediato.